quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Lines for people after the party

By Alex Dimitrov

And whenever they couldn’t speak they looked at each other.
How long should I look at the world before I go home?
It’s a moody life like Debussy on a weekend
and all the appointments and money and drinks they do go.
So with our beautiful coats we went back to that mess
and what happened? Someone found what they wanted
by night, by mistake. In the car it felt like summer
and we lived with no sun    . . .    just metals and leather.
A lot of   Mondays. A lot of you in the grass I go to and touch.
Oh and Los Angeles for its slow light. Rome for when it gets late.
You. Not you, but you who are reading   . . .
what won’t you ask for and want?
Of course I remember it differently because I was broke
and it feels like I’m broke still.
The cabs lined up but no one took him
where he wanted to go. Those months shared a face
and the face of a dog on a street was the only thing
that really saw you (for a long time).
Then I heard you were traveling, I heard you were somewhere,
I heard you were nowhere anyone looked for at all.
French stationery. Construction. Sent then deleted. Missed you
so sorry next time press yes to continue press now.
And I stood on Barrow then Greenwich then Allen
then all streets, every street, all the time, everyone.
There was a check you used just to drive out there.
There was a storm that brought a gold door in front of their shoes.
You know, it doesn’t get easier with the lights on.
It doesn’t get easier to watch the play with an end.
On the way out someone said, what a terrible way to portray life.
But about us. Hide all week then some place
we go empty the dark in. In the dark
with our vices and best shirts and history’s dress.
Then you could find me anytime. And then there’s right now.
Where wouldn’t we go to be no one and those people again?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Consideração da noite azul


Love is a dog from hell. Indeed.
Um último cigarro para acompanhar o último gole de cerveja. E a cerveja acaba. Mas o cigarro continua, e a noite e a música. Um milhão de versos na cabeça, a maioria alheios. Mil coisas pra dizer, como? E quando? O tempo se torna a mortalha dos dias; a música, o céu do pensamento. Guerilla ontology. Parece bom, mas precisa ser desenvolvido. Principia Discordia? Uma visão da coisa, mas para dias de humor. Descobrir o que significa whimsical. Em todo caso, não parece uma palavra que eu usaria muito. Aprender a tocar oh well. Aprender os atalhos desse pc. Aprender a não ficar fleumática com memorias. Mas ah, a nostalgia. Especialmente aquela de dias que não aconteceram. Me vira do avesso. Escrever. Fazer foto-poesia. Preparar um projeto de aulas (de qualquer forma, o jazz pedagógico tem 'dado certo'). Fumar menos. Andar mais de bicicleta. Ou fumar mais e melhor. A bicicleta, mesmo assim. Aprender a dançar? Talvez o pensamento já dance o suficiente. Um inception de deja vu é possível, mas uma coincidência muito grande não é nunca só uma coincidência. Beber mais cerveja, em todo caso. Koyaanisqatsi. Dos esquizofrenéticos, Dalí me proteja. Cohen, oh Cohen. Was it love, or the idea of being in love? Or was it the hand of fate that seemed to fit  just like a glove?









De resto, escutar isso na bicicleta, o vento na cara, e não ter vontade de entrar embaixo de um caminhão. http://www.youtube.com/watch?v=pau8Zf7srlU

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A mulher mais linda da cidade

                                                                  


 "Mas ela era do mundo em que vivem as coisas mais belas
Têm o pior destino:
 E Rosa viveu o que vivem as Rosas,
O espaço de uma manhã."
François Malherbe


Pedi bebida para ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andado com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.
— Porra, ainda não desistiu de estragar sua beleza?
— Que nada, seu bobo, agora é moda.
— Pirou de vez.
— Sabe que sinto saudade — comentou.
— Tira esses grampos daí.
— Negativo. É moda.
— Estão me deixando chateado.
— Tem certeza?
— Claro que tenho, pô.
Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.
— Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? — perguntei. — Quando vai se conformar com a ideia de ser bonita?
— Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.


(Do velho Buk)




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Imagem: Egon Schiele

sábado, 16 de novembro de 2013

O degrau de Kafka

Sobe. A ladeira do teu delírio te espera. Pensa no degrau, naquele, lembra? De onde você veio, os degraus eram bem maiores, mais estreitos, difíceis de permanência. A vista era horrível: um palco de horrores e o chicote estalando nas tuas costas, o zuup que te arrepia até hoje. Eu sei, você fecha os olhos e vê a cara de ódio com que te olhavam, ou o escárnio no canto de um sorriso cruel quando escondiam comida de você, ou a perplexidade quando você não queria passear no meio da fedida burguesia e preferia ficar com um livro em casa, e te arrastavam pelas mãos e pelo favor que te fizeram, cuspindo 'esquisita' pra tua rebeldia. Lembra quantas tardes foram acompanhadas do Artur da Távola, o salvador do teu domingo, naquelas dissertações sublimes que acompanhavam os arcos dos violinos? 'A valsa da Morte', o frio na barriga; os russos têm mesmo algo. E a mesquinharia daqueles olhos flácidos, daquelas mãos avarentas, daquele cabelo pintado cuidadosamente pra esconder a idade, de todos eles, todos. Hoje, têm uns 20 quilos a mais; vão explodir de tanto comer. Ah, os hábitos principescos que têm grotesco até na rima.
É uma nuvem, agora, de cicatrizes e nada. Quando assistisse Aos Treze e quisesse se matar, quanta ironia, quanto grito preso. Definhava, tua alma definhava mesmo, e se não se esvaiu a tua força era mesmo maior que a deles. Aí está: tinham medo da vida livre, e te proibiam de dar aos mãos pra ela e encontrar um sorriso sincero e despido de palavras hipócritas. Cruel é pouco, é. Mas te salvasse dessa.
E a tua mãe, a tua última lembrança; os vidros quebrados e as vozes; o cabelo desgrenhado e o espírito sujo. O que fizeram com tua mãe, também. As pessoas enlouquecem sozinhas, são enlouquecidas pelo próprio reflexo no espelho em neón piscando.
E a tua flor, a carne da tua carne, que está plantada em solo infértil mas tem a fragrância da persistência. É coisa mesma da tua família, persistir na lama, pensa só. Os mais inteligentes são os mais explorados, ó ironia, sobrenome do destino. As tuas três flores: uma pisada e resfolegante se recupera; uma te conhece de longe e não te acena; a última, por fim, teve um começo trágico atrás das grades. Qual tua flor decadência preferida? Elas são suficientes pra te manter de pé, ao menos.
E a raiz de onde viesse, bruta flor: um olhar árido, de águia. É o teu, também, aquele olhar que vê os percalços do caminho mas vê a beleza da terra de onde sai tudo, também. Uma boa herança, essa tua busca incansável pela beleza.
Os teus vícios e vicissitudes ficaram pelos degraus, juntando-se uns aos outros na lista mental de quem és, junto com tua perplexidade em frente ao espelho: ficarei louca?
 No teu sorriso coube dor, e cabe. Conseguisse subir a escada vacilante da tua vida até agora. Torta e pendurada, tropeçando e se arrastando pelo carpete mágico do absurdo - daí é que gostas tanto de Kafka, menina? -  e se agarrando no corrimão do fiapo da tua esperança.  Sabes que se a vida é 'cordial quando nega e escassa quando dá', há ao menos algo a ser levado, trazido, buscado e pesado com a balança do teu cérebro racional de homo sapiens dementis. 
Outro degrau, e outro e outro. Infinitos degraus, sabe. E você sobe e cai, mas não terá de começar de novo dando cabeçadas na parede ou gritos no escuro da noite ou uivos pra lua mórbida: a tua voz tá guardada num canto da tua existência, os teus cabelos escondem tua cara no vento e tuas mãos tão firmes no corrimão pouco do tempo, teus pés tão firmes mas não plantados, movimento! 

Se pudesse

Se eu pudesse deixar de correr
Caminhava se eu pudesse deixar de caminhar
Sentava-me à sombra da nogueira azul do céu
Se eu pudesse deitar-me deitava-me
Numa cova com a forma do meu corpo em
Repouso se eu pudesse deixar de cantar
Fechava os olhos e olhava o alto vazio
Onde não acontece nada a não ser
A conciliação provisória do caos
E da luz que não se cansa de nascer.








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Texto: Casimiro de Brito 
Imagem:  Lagoa entardescente, Delira

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Meu amigo eco vazio




É...

A cell block letter

You, little brother. Blood of my blood, skin of my scars and thought of my brain: you're now in the back of my head, like a constant cabinet full of stuff. That is what's left when people are gone: their magnetic ausence on the corner of our eyes.
You enjoyed my music, didn't you? It was particularly tender when you asked me to put something on, as soon as I got home from work: I was always pleased. Our future as the cooks in the house, so bright! Even cleaning along with your cynical complaints was nice. You were the only person in the family to whom I could talk freely, and that was the least we would accept from each other.
So wildly loose you were. Left to your own fate, thrown against the walls of the world. But wild freedom, mon petit, is a tricky path: if you seek it too much, you get stuck either in insanity or inside the very rules you despised. I told you, I told you....
And you're stuck. I barely know where you are, the conditions are not clear: we just know you're suffering with bad food (if you have any), mistreating and overcrowding (and if you, who enjoy space so much, have a square meter to sleep, maybe it's good).
Our father is worried. Our brother is worried.
I cry every night. Doesn't help, but I can't help it.
I just hope you're not dragged down to the sour path these men with you are in. And I hope there's some sunlight for you everyday: the sunny days have been beautiful, but not enought without you in them, and that way we could share them.